Está certo que ele quase estragou tudo quando falou sobre funcionários públicos, mas o incêndio foi apagado a tempo. Depois do passeio de lancha que fizemos para ver os golfinhos e conhecer outras praias, ele contou que ia dormir em Pipa para aproveitar o dia seguinte por lá. Na hora me lembrei que tinha planejado fazer isso desde que cheguei a Natal, mas faltavam dois dias para eu ir embora e eu não tinha feito nada para concretizar meu plano. Tinha até me conformado em passar somente o dia e voltar.
Mas conversa vai, conversa vem, ele levantou a bola. Por que você não fica aqui também? A luzinha ascendeu na hora, mas pensei logo: ‘as portas do meu quarto no hotel estão abertas, não tenho escova nem pasta de dente, shampoo, creme, desodorante, hidratante, etc, e o pior, quase nenhum dinheiro em espécie. Acho que não vai dar’.
Mas com o passar do dia fiquei pensando no que era mais importante naquela hora e no que dava para ser resolvido. Afinal de contas eu tinha amado o lugar e queria fica para conhecer outra praia no dia seguinte. Isso com uma boa companhia ficou ainda mais animador. No final eu concluí: ‘eu tenho um vestidinho, um par de chinelos do Cruzeiro (que vale ouro), um cartão e um amigo. Vai dar tudo certo’!
Nessas horas a gente percebe que não precisa de muita coisa pra viver. Sempre que eu viajo fico pensando quanto tempo posso passar fora de casa somente com aquela mala e sempre concluo que dá para ficar muuuuuuito tempo. E sem sentir falta de nada. Nesse dia vi que às vezes o que realmente precisamos cabe em um espaço menor que o de uma mala. Afinal, tudo que eu tinha estava em uma sacola de praia e assim eu passei o que talvez tenham sido os melhores dias da minha viagem.
A conclusão do diário de Natal fica para um último post...




